Friday, April 22, 2011
Experientia I
Descansando em um pires de xícara
Cinzas da solidão indigente
Inerentes a dose de álcool
Do uísque no copo de requeijão
O gosto forte da falta de gelo na bebida
Misturado ao aroma de tabaco por todo o corpo
Misturado à dúvida de uma existência em filosofia
A cabeça leve e pesada tentando fazer poesia
A falta de paz
Que cria pregas
Que cria regras
Que complica
O que não há por que
O que não tem que ser
Eis a questão
Rabiscada no papel de pão
Desenhada por caneta BIC
Em caixas de papelão que cheiram mofo
Que guardam lembranças
A memória em matéria
A discórdia em evidências
Heranças genéticas de uma humanidade medíocre
Que sempre quis ser mais
Mas é cada vez menos
Tanta merda e hipocrisia
Em um gosto amargo de falsa boemia
Pensamentos de solitude
A miúde de uma fragilidade maior
Que desabita o ser e se estabelece
Em um toco de cigarro recém tragado
E na dose de uísque no copo de requijão
Nas pregas, nas regras
Que são falsamente negadas
Nas que vivem saindo das caixas de papelão
---
Inspiração desencadeada pela peça/ensaio que assisti hoje.
Fragmentos de "O Jardim"
Cia. Hiato
Sunday, February 13, 2011
Bom senso temperado a pitadas de loucura carioca trazem boa música aos paulistanos
"Reconheço o valor dos versos meus
E a sujera que habita a mente pura
A pureza que mora na mistura
E a discórdia que mora no consenso"
DEUS CONSERVE PRA SEMPRE MEU BOM SENSO TEMPERADO A PITADAS DE LOUCURA
EDU KRIEGER
---O SESC Ipiranga em São Paulo está com um belo projeto para as sextas e sábados do mês de fevereiro. Chamado “Ponte Aérea”, de 4 a 19 de fevereiro eles trazem “Novos Cariocas e Novos Paulistanos”, alguns representantes do novo cenário da boa MPB tanto em Sampa quanto no Rio. Ontem, sábado dia 12, foi a vez do carioca Edu Krieger se apresentar no aconchegante teatro do SESC localizado no bairro do Ipiranga, próximo ao parque de mesmo nome.
---Misturando músicas do seu mais recente cd “Correnteza” (2009) e do trabalho anterior “Edu Krieger” (2007), ambos pela gravadora Biscoito Fino, o cantor aproveitou a oportunidade do show em São Paulo para mostrar seu trabalho, optando por um repertório 100% autoral. No público havia admiradores do seu trabalho (alguém nas cadeiras cantou todas as músicas, com todas as letras de cor), parceiros musicais, bem como alguns curiosos que se interessaram em conhecer melhor o trabalho do rapaz que é tão pouco divulgado na capital paulistana.
---Conhecido principalmente pelas músicas “Maria do Socorro”, “Ciranda do Mundo” e “Novo Amor”, sucessos nas vozes de Maria Rita e Roberta Sá, além de um ótimo compositor, ele se revelou um grande instrumentista. Tocando um violão de 8 cordas, usava e abusava dos baixos, em solos e acordes de samba e algumas variações ora bossa, ora Chico, incluindo uma forte influência dos ritmos nordestinos, mostrando todo o seu talento e experiência – Edu foi baixista de nomes como Sivuca e Geraldo Azevedo.
---Acompanhado pelo acordeom de Marcelo Caldi (que faz parte do grupo LiberTango, que regravam Astor Piazzolla brilhantemente) e pela flauta e percussão de PC Castilho, o trio entrava em perfeita sintonia costurando musicalmente as letras paradoxais, inteligentes, engraçadas e criativas de Edu, representadas em sua voz firme e muito agradável. Nos arranjos todos tiveram momentos de improviso, bem como solos, presenteando o público com trechos instrumentais arrebatadores. Apesar do show pequeno e intimista, Edu Krieger estava por completo: compositor, cantor, instrumentista, parceiro, ídolo e um singelo contador de histórias revelando curiosidades de suas músicas, mostrando também seu lado fã, pai, amigo.
---Os únicos desencontros da noite foram: o fato dos CDs do artista estarem esgotados nas lojas, deixando parte do público só na vontade de adquirir o seu pedaço de Edu Krieger, e algumas cadeiras do teatro vazias que, pelo estilo e qualidade de sua música são justificáveis por um motivo: a pouca divulgação do seu trabalho em São Paulo, bem como a pouca divulgação da própria apresentação. Algum crítico alguma vez disse que Marcelo Camelo, enquanto compositor, seria o “Chico Buarque” dessa geração (com suas ressalvas, claro). Na minha modesta opinião, o Chico das décadas 00, 10... se chama Edu.
Friday, January 28, 2011
Que venham os novos (e bons)!
que pendure essa despesa
no cabide ali em frente
NOEL ROSA
daquele boteco antigo
: rabo-de-galo torresmo pernil
prosa fiada sem perigo
tá coisa fina ô gente boa
embrulha aí o que sobrou
que eu vou levar pra patroa
obrigado eu tô de saída
: a humanidade que sobrou
em cada um de nós.
Distribuição gratuita do SESCSP
---
Li esse poema em uma revista. É de um autor contemporâneo, que eu não conhecia, e gostei demais. Pela referência de Noel, a tal música é uma das minhas favoritas do poeta da Vila, e pelo jeito que foi escrito, o resultado da inspiração. Contemporâneo e bom.
Se gostou, procure mais, essa fonte tem mais águas, de outras cores e sabores.
Sunday, January 16, 2011
Essa moça é diferente...
Exala incógnitas à minha percepção.
Em pistas de Mário Quintana, Djavan e Damien Rice.
Ideias e ideais
Cristalizado
Petrificado
É aquele dito
Doutrinado
Entalhado
Circunscrito
Não modificado
Não finalizado.
Saturday, June 12, 2010
Coisas da cabeça
Eu não sei muito de biologia, mais da metade do que aprendi na escola já foi embora. Mas há de ter uma explicação biológica para a dor no peito que a gente sente quando perde um amor, sofre uma decepção, sei lá.
Pois, veja bem, quando estamos apaixonados, a barriga cola nas costas gerando um frio tremendo lá dentro, como se a gente estivesse em uma montanha-russa; a cabeça, vai para as nuvens, como se andássemos em pernas de pau e o coração, parece uma escola de samba, mas isso porque os batimentos aceleram mais rápido do que a gente possa contar e de tão rápido que bate, parece que quer sair do nosso corpo.
Isso acontece! Aceleração dos batimentos cardíacos, é real, é biológico, faz sentido.
Mas quando a gente está triste, porque a paixão não dá assim tão certo, não tem barriga, cabeça e nem batimento cardíaco. Parece que uma pedra se instaura no lado esquerdo do peito, bem pontiaguda que vai furando para todos os lados, pesando e, ao mesmo tempo, gerando um vácuo. Um vazio pesado e pontiagudo que dói, dói, dói muito… Desses que parece que se a gente abrisse o peito e arrancasse, a dor iria embora right away, o 'tirar com as mãos'.
Mas isso nunca resolveria, porque, na verdade, o coração está bem, batendo, não há nada de errado com ele, não fisicamente.
O que será então que gera essa coisa estranha que parece que vem dele, mas que, na verdade, está tudo dentro da nossa cabeça?
Eu queria saber mais de biologia, só pra poder entender melhor essas coisas do coração (ou da cabeça). A única coisa que sei, é que a primeira vez que senti o vazio pontiagudo e pesado no lado esquerdo do peito, entendi porque que o órgão que ocupa essa espaço, é tão usado como metáfora para coisas do amor. Faz todo o sentido do mundo!
Tanto quanto a biologia.
FELIZ DIA DOS NAMORADOS PESSOAL!
Wednesday, May 12, 2010
Comecinho de inverno
A vontade é de ficar
bem quentinho
Se possível abraçar
seu amorzinho
Melhor ainda assistindo
um bom filminho
Ou até mesmo lendo
algum livrinho
Cuidado para não borrá-lo
de chocolatinho
Ou se for o caso
de cafézinho
Mas tudo bem se acabar
meio gordinho
PS: Bem vindos de volta! Depois de alguns muitos dias sem escrever… Senti falta!
